Sair do modo leitor

Cientistas da Califórnia transformam CO2 do oceano em conchas moídas

Oceano inspirou cientistas ao perceberam transformação de conchas em CO2

Enquanto trabalhamos para buscar fontes renováveis de energia e reduzir as emissões de gases de efeito estufa para o mais próximo de zero, ainda teremos muito dióxido de carbono para retirar do planeta. As estimativas apontam para algo como 10 bilhões de toneladas por ano em meados do século. Algumas startups criam para máquinas que sugam CO2 diretamente do ar. Outros apostam em árvores. Mas uma abordagem inovadora quer transformar CO2 em conchas. Ou algo muito parecido com elas.

A ideia vem da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Os pesquisadores se inspiraram nas conchas do mar, que são formadas a partir do dióxido de carbono que se dissolve naturalmente no oceano. Este processo vem de uma reação que acontece naturalmente e que já havia sido estudada pelos cientistas em projetos anteriores. Foi daí que veio a ideia: como alavancar isso em uma escala em que transformar CO2 em conchas possa afetar os níveis de CO2 atmosférico?

Como é transformar CO2 em conchas, ou algo parecido com elas

Como o oceano e a atmosfera estão em estado de equilíbrio, se o CO2 for retirado da água, o oceano extrairá mais do ar. Em um laboratório, os cientistas começaram a testar uma nova tecnologia que poderia acelerar o processo de transformação do dióxido de carbono em minerais.

A água do mar que a máquina puxa passa por uma malha que fornece uma carga elétrica à água. Isso desencadeia reações químicas que combinam CO2 dissolvido com cálcio e magnésio na água, criando calcário e magnesita. O trabalho está publicado na revista ACS Sustainable. Esses materiais – essencialmente conchas do mar moídas – podem ser descartados em terra ou devolvidos ao oceano.

A água do mar também pode fluir de volta para o oceano, onde pode absorver mais CO2. O processo tem algumas vantagens em comparação com outras tecnologias de remoção de carbono, incluindo o fato de que a água do mar já absorve CO2 naturalmente em alta concentração, 150 vezes o nível do ar.

Processo tem outras vantagens na remoção do CO2

Com um uso muito menor e energia, o processo inovador que transforma CO2 em conchas pode ser mais barato do que a captura direta de ar. Também produz hidrogênio como subproduto, que pode ser usado para ajudar no funcionamento do equipamento, como fonte de energia, ou vendido como combustível.

A tecnologia também sequestra CO2 permanentemente, algo que não acontece necessariamente em outros processos. Se uma usina captura dióxido de carbono em suas chaminés ou uma usina de captura direta de ar o tira do ar, o CO2 pode ser transformado em combustível que é queimado ou plástico que é posteriormente incinerado. Nos dois casos, o processo termina criando uma nova pegada de carbono, mesmo que menor. De outro lado, se for injetado no subsolo, há o perigo de vazar mais tarde. Mas os minerais criados por meio do novo processo, que transforma CO2 em conchas moídas, oferecem armazenamento permanente sem a necessidade de etapas adicionais.